Marta Pinheiro expõe o trabalho que resgata pessoas das mais infelizes situações
“O calor do seu coração aquece a alma” é o segundo verso de uma poesia, de autoria desconhecida, que homenageia profissionais de Enfermagem. A frase tem tudo a ver com a rotina de quem, diariamente, acalenta pessoas em situações de extrema fragilidade, de recém-nascidos a octogenários. O cotidiano da enfermeira Marta Elisa Panarielo Pinheiro é exatamente este: zelar pelo bem-estar físico e até psicológico de pessoas atendidas no Lar São Francisco de Assis e na Casa da Criança e do Adolescente, ambas mantidas pela Secretaria de Promoção Social (Sepros), de Praia Grande.
Há três anos Marta Pinheiro coordena o atendimento aos quase 80 internos do Lar São Francisco de Assis. Ela ainda divide as 8 horas de trabalho diário na assistência aos quase 50 meninos e meninas da Casa da Criança e do Adolescente. A tarefa é bem diferente da atividade que desempenhou até poucos anos atrás, quando lidava com serviços burocráticos do seu setor de trabalho.
No Lar São Francisco de Assis, a história individual dos idosos é bem conhecida pela enfermeira. A maioria sofre do mal de Alzheimer ou tem diabetes e hipertensão, o que requer um acompanhamento diário do estado de saúde de cada um. Carinho e atenção são as características do atendimento da casa, que além do cuidado médico, proporciona momentos de lazer e descontração aos atendidos. Além de serem levados para participar de eventos diversos na Cidade, toda semana há voluntários que ajudam a melhorar o dia-a-dia dos idosos, como um músico e seu teclado, uma podóloga e um cabeleireiro, que são presenças garantidas por lá.
Segundo Marta, antes de serem acolhidos pela instituição, muitos dos idosos sequer tomavam medicamentos. “Alguns moravam sozinhos e não tinham horário para tomar remédio ou nem tomavam. Também não controlavam glicemia, colesterol e muito menos passavam por consulta com geriatra. Aqui, além do lar possibilitar tudo isso, fazemos coleta de exames e as amostras são recolhidas periodicamente pelo laboratório. Isso significa uma resposta muito mais rápida na assistência, prolongando a vida daqueles que viviam em condições precárias”, disse a enfermeira.
A situação de uma mulher de 75 anos, que morava sozinha em um barraco no meio do lixo é um dos exemplos dentre os muitos resgates feitos pelo Lar São Francisco de Assis. A idosa agora vive uma vida muito melhor. “Ela tem seu quarto arrumadinho, boa comida e até já arranjou um namorado. Ele tem problema de catarata e já deve fazer a cirurgia. Ela o acompanha em todo o lugar para onde vai. Quando precisa sair para ir ao AME, ela pede para acompanhá-lo. Tivemos muitas outras histórias assim. A alegria deles nos contagia”.
Marta destaca que o trabalho assistencial desenvolvido pelas duas secretarias é crucial na vida de pessoas que passam por momentos tão delicados e frágeis.
Casa da Criança - Quando está na Casa da Criança e do Adolescente, a enfermeira experimenta outra realidade que, igualmente, exige dela um profissionalismo que ultrapassa os limites do simples cumprimento de expediente. São cerca de 15 adolescentes e pouco mais de 30 crianças, incluindo recém-nascidos, que estão ali vivendo os mesmos dramas dos idosos do espaço, tempos atrás conhecido como “Lar dos Velhinhos”: abandono e carência afetiva.
A preocupação com o bem-estar de indivíduos em idade prematura para tantos problemas faz com que Marta e todos os que trabalham na Casa da Criança sejam considerados pessoas nobres. Sem falar dos aspectos psicossociais, os problemas de saúde dos que são levados para o estabelecimento beiram a barbárie. Bebês e jovens chegam a ser internados por desnutrição e anemias.
Por tão diversas, as situações envolvem, principalmente, atenção da Promotoria da Infância e da Juventude do Município. De acordo com Marta, o atendimento médico inclui assistência dentro da própria instituição. “Acolhe-se várias situações, desde casos de dependência de drogas a abandono de menores. Quando um caso assim chega até a Casa da Criança, colhemos exames, fazemos pré-avaliações e todo atendimento necessário. Nosso papel é inverter totalmente o estado de saúde daqueles que tanto sofrem por sua condição”, comenta.
Uma história que demonstra o valor do empenho dos profissionais de saúde da instituição foi o caso de um recém-nascido abandonado pela mãe no hospital. “Ele tinha o pezinho torto e a gente providenciou o tratamento e hoje o pezinho dele é normal”. A criança, assim como muitas outras, está disponível para adoção.
Embora enfrente uma carga emocional diária, ao fim do dia Marta revela voltar para casa satisfeita por sua função. Ela ressalta como fundamental para o bom resultado do trabalho a dedicação da equipe e o apoio que recebe dos diretores da Casa da Criança e do Adolescente e do Lar São Francisco de Assis, respectivamente Renata Aparecida Pezzete e Silvio Luís de Lima. “Os diretores tanto da Casa da Criança como daqui do Lar São Francisco nos dão todo respaldo para que nosso trabalho seja feito da melhor forma. Nosso objetivo final é dar uma boa resposta aos anseios de nossos pacientes e quando tudo vai bem, é isso que importa para gente”, completou.
Para Marta, o trabalho com pessoas dependentes como idosos, crianças e adolescentes rende uma experiência que todo profissional deveria vivenciar. “A convivência com a carência de valores afetivos e da família nos faz refletir sobre nós mesmos, porque também podemos algum dia enfrentar uma situação assim”, finalizou.
A enfermeira está há 10 anos na Secretaria de Saúde Pública e tem 24 anos de formação em Enfermagem.
“O calor do seu coração aquece a alma” é o segundo verso de uma poesia, de autoria desconhecida, que homenageia profissionais de Enfermagem. A frase tem tudo a ver com a rotina de quem, diariamente, acalenta pessoas em situações de extrema fragilidade, de recém-nascidos a octogenários. O cotidiano da enfermeira Marta Elisa Panarielo Pinheiro é exatamente este: zelar pelo bem-estar físico e até psicológico de pessoas atendidas no Lar São Francisco de Assis e na Casa da Criança e do Adolescente, ambas mantidas pela Secretaria de Promoção Social (Sepros), de Praia Grande.
Há três anos Marta Pinheiro coordena o atendimento aos quase 80 internos do Lar São Francisco de Assis. Ela ainda divide as 8 horas de trabalho diário na assistência aos quase 50 meninos e meninas da Casa da Criança e do Adolescente. A tarefa é bem diferente da atividade que desempenhou até poucos anos atrás, quando lidava com serviços burocráticos do seu setor de trabalho.
No Lar São Francisco de Assis, a história individual dos idosos é bem conhecida pela enfermeira. A maioria sofre do mal de Alzheimer ou tem diabetes e hipertensão, o que requer um acompanhamento diário do estado de saúde de cada um. Carinho e atenção são as características do atendimento da casa, que além do cuidado médico, proporciona momentos de lazer e descontração aos atendidos. Além de serem levados para participar de eventos diversos na Cidade, toda semana há voluntários que ajudam a melhorar o dia-a-dia dos idosos, como um músico e seu teclado, uma podóloga e um cabeleireiro, que são presenças garantidas por lá.
Segundo Marta, antes de serem acolhidos pela instituição, muitos dos idosos sequer tomavam medicamentos. “Alguns moravam sozinhos e não tinham horário para tomar remédio ou nem tomavam. Também não controlavam glicemia, colesterol e muito menos passavam por consulta com geriatra. Aqui, além do lar possibilitar tudo isso, fazemos coleta de exames e as amostras são recolhidas periodicamente pelo laboratório. Isso significa uma resposta muito mais rápida na assistência, prolongando a vida daqueles que viviam em condições precárias”, disse a enfermeira.
A situação de uma mulher de 75 anos, que morava sozinha em um barraco no meio do lixo é um dos exemplos dentre os muitos resgates feitos pelo Lar São Francisco de Assis. A idosa agora vive uma vida muito melhor. “Ela tem seu quarto arrumadinho, boa comida e até já arranjou um namorado. Ele tem problema de catarata e já deve fazer a cirurgia. Ela o acompanha em todo o lugar para onde vai. Quando precisa sair para ir ao AME, ela pede para acompanhá-lo. Tivemos muitas outras histórias assim. A alegria deles nos contagia”.
Marta destaca que o trabalho assistencial desenvolvido pelas duas secretarias é crucial na vida de pessoas que passam por momentos tão delicados e frágeis.
Casa da Criança - Quando está na Casa da Criança e do Adolescente, a enfermeira experimenta outra realidade que, igualmente, exige dela um profissionalismo que ultrapassa os limites do simples cumprimento de expediente. São cerca de 15 adolescentes e pouco mais de 30 crianças, incluindo recém-nascidos, que estão ali vivendo os mesmos dramas dos idosos do espaço, tempos atrás conhecido como “Lar dos Velhinhos”: abandono e carência afetiva.
A preocupação com o bem-estar de indivíduos em idade prematura para tantos problemas faz com que Marta e todos os que trabalham na Casa da Criança sejam considerados pessoas nobres. Sem falar dos aspectos psicossociais, os problemas de saúde dos que são levados para o estabelecimento beiram a barbárie. Bebês e jovens chegam a ser internados por desnutrição e anemias.
Por tão diversas, as situações envolvem, principalmente, atenção da Promotoria da Infância e da Juventude do Município. De acordo com Marta, o atendimento médico inclui assistência dentro da própria instituição. “Acolhe-se várias situações, desde casos de dependência de drogas a abandono de menores. Quando um caso assim chega até a Casa da Criança, colhemos exames, fazemos pré-avaliações e todo atendimento necessário. Nosso papel é inverter totalmente o estado de saúde daqueles que tanto sofrem por sua condição”, comenta.
Uma história que demonstra o valor do empenho dos profissionais de saúde da instituição foi o caso de um recém-nascido abandonado pela mãe no hospital. “Ele tinha o pezinho torto e a gente providenciou o tratamento e hoje o pezinho dele é normal”. A criança, assim como muitas outras, está disponível para adoção.
Embora enfrente uma carga emocional diária, ao fim do dia Marta revela voltar para casa satisfeita por sua função. Ela ressalta como fundamental para o bom resultado do trabalho a dedicação da equipe e o apoio que recebe dos diretores da Casa da Criança e do Adolescente e do Lar São Francisco de Assis, respectivamente Renata Aparecida Pezzete e Silvio Luís de Lima. “Os diretores tanto da Casa da Criança como daqui do Lar São Francisco nos dão todo respaldo para que nosso trabalho seja feito da melhor forma. Nosso objetivo final é dar uma boa resposta aos anseios de nossos pacientes e quando tudo vai bem, é isso que importa para gente”, completou.
Para Marta, o trabalho com pessoas dependentes como idosos, crianças e adolescentes rende uma experiência que todo profissional deveria vivenciar. “A convivência com a carência de valores afetivos e da família nos faz refletir sobre nós mesmos, porque também podemos algum dia enfrentar uma situação assim”, finalizou.
A enfermeira está há 10 anos na Secretaria de Saúde Pública e tem 24 anos de formação em Enfermagem.
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