Três novas voluntárias
do Irmã Dulce revelam porque se decidiram pelo gesto
Três mulheres e suas experiências de
hospitalização, que resultaram na opção de cuidar de pessoas que precisam
enfrentar um processo de adoecimento. Entre os novos voluntários que esta semana
passam por capacitação para ingresso no Grupo Feliz, o Complexo de Saúde Irmã
Dulce recebe Maria Luiza Santos, 63 anos; Nadir da Silva Rodrigues, 61; e Rose
Laine Veiga, 55. Em comum, a expectativa de quem inicia o voluntariado pela
primeira vez.
Maria Luiza conheceu o Hospital Municipal
Irmã Dulce como paciente. No ano passado, em menos de 15 dias após a morte do
irmão, ela teve de ser internada com um princípio de enfarte. “Fui tratada muito
bem aqui, muito melhor que em hospitais particulares. Minha vida sofreu um
furacão, fui amparada pela equipe deste hospital e vi o quanto foi importante
receber apoio”, conta.
Casada e com filhos adultos, Maria Luiza
sentiu que era o momento de dar sua contribuição aos que precisam e transmitir
um pouco do que aprendeu, cuidando do irmão numa UTI por 41 dias. “Ao longo da
internação dele, notei pessoas que precisavam de auxílio, de alguém que possa
passar uma mensagem de paz e amor”, disse.
Desespero - Viúva, com filhos adultos e uma
neta de 13 anos, Nadir atendeu ao chamado do amor ao próximo por entender que
pode ajudar a equipe no cuidado aos pacientes, seja dando uma refeição ou
fazendo uma barba. Em São Paulo, acompanhou no hospital a mãe idosa até seu
falecimento. “Eu via o desespero. A gente ficava correndo, ajudando. É tudo o
que eu quero: ajudar”.
Também viúva e com filhos adultos, Rose
Laine cuidou do marido, que era diabético. “Foram oito anos de entra e sai de
hospital. Aprendi tanta coisa, cuidava de outros pacientes. Sempre fui muito
ativa e quero ocupar meu tempo. Se na área particular já há necessidade de
voluntários, acho que num hospital que só atende pelo SUS essa necessidade é
ainda maior”, considera.
Veterana – Entre os novos voluntários está
Helena Rodrigues Marques, 64 anos, que registra mais de 20 anos de atuação em
hospitais da região. Para ela, o apoio pode vir de atos simples, mas de grande
significado para quem recebe. “Preciso fazer caridade. É uma necessidade
pessoal. Creio que só dando recebemos e isso é minha filosofia de vida. Uma
palavra, uma ajeitada no cabelo, uma virada de travesseiro faz diferença”,
comenta.
A capacitação dos novos voluntários pela
equipe de suporte técnico prossegue até sexta-feira (23), das 9h às 11h, no
anfiteatro. Desde segunda-feira, eles tiveram palestras com o Serviço de
Controle de Infecção Hospitalar, Psicologia e Comissão de Humanização, abordando
assuntos como higienização das mãos e aspectos psicológicos do processo de
adoecimento.
Partiu da diretora técnica Maria Alice
Tavares da Silva a iniciativa de intensificar o preparo do voluntariado. “A
importância do trabalho sem fins lucrativos é enorme porque envolve amor ao
próximo. Em nosso hospital, que atende pelo SUS em sua totalidade, a atuação dos
voluntários nas alas é fundamental, especialmente no apoio a pacientes com
limitações, contribuindo para um maior acolhimento e para a real humanização do
serviço”, conclui.
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